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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Inclusão e acessibilidade

Há já algum tempo que me intriga o critério de seleção de quais serão as portas de acesso e saída do metropolitano na estação Roma, linha verde.

Esta estação integra o conjunto de estações originais do metropolitano, altura em que não existia uma preocupação evidente com a mobilidade reduzida ou mesmo a inclusão.Na verdade esta estação sofreu obras de beneficiação há alguns poucos anos, mas negou o acesso aos seus utentes com mobilidade reduzida.

O elevador existente faz o percurso da linha às bilheteiras, quase como que fazendo questão de deixar de fora os acessos difíceis e condicionados por limitações funcionais.

Curiosa a opção de manter o canal destinado a pessoas com mobilidade reduzida (ex. Pessoas com cadeiras de rodas, jovens surfistas com prancha, turistas com malas, etc) encerrado para o acesso à linha.

Começo a perguntar-me se o plano de acessibilidade pedonal não devia tocar também nesta realidade (sei que prevê tocar), ou se os operadores de transportes públicos não deveriam ser obrigado a cumprir alguns critérios que salvaguardassem a progressiva acessibilidade universal deste bem comum.

Registo que, na entrada do sentido Telheiras - Cais do Sodré, pelo nova porta criada pelas obras, o canal acessível serve apenas para sair.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Futuro de Lisboa - As pedras da calçada podem vir a chorar?

Infelizmente não consegui participar no debate o "Fado da calçada Portuguesa", este realizou-se a 6 de Março de 2014, uma iniciativa que trouxe para a mesma mesa acessibilidade, património e política.

Fig. 1 - Emblema da Cidade de Lisboa em Calçada Portuguesa na Av. Almirante Reis (27/06/2013)

Registo com bastante alegria uma citação  retiro do artigo do jornal "O Público":

"Pedro Homem de Gouveia, coordenador do Plano de Acessibilidade Pedonal da Câmara de Lisboa (CML), afirmou que “a cidade não está preparada para o tsunami demográfico que está a acontecer” – o envelhecimento da população"

Isto só me acresce uma preocupação, mas afinal os executivos autárquicos têm centrado a sua ação em manter a cidade na mesma situação demográfica ou será que temos tido ação para inverter a perda populacional (e talvez civilizacional)?

É simples a resposta, basta olharmos os documentos produzidos nos últimos tempos e observamos rapidamente que a Câmara Municipal de Lisboa, esboçou uma visão integrada para o envelhecimento ativo da sua população idosa, sendo o trabalho nas áreas de competência da Vereadora Ana Sara Brito, tendo vindo a público o Plano Gerontrológico Municipal.

Infelizmente ainda não consegui foi encontrar nenhum Plano Municipal para as crianças e jovens, até mesmo a própria prática dos Conselhos Municipais tem estado bastante aquém do expectável nesta Lisboa participativa e que começou a funcionar em rede.

Mas voltando ao tema da calçada, este debate tem sido focado no domínio da preservação do património cultural e histórico, nos traumatismos tíbio társicos e na alternativa por superfícies empedradas, o que me faz resgatar a rábula do Ricardo Araújo Pereira sobre este tema:

Vídeo 1 - Programa Mixórdia de Temáticas 15 "Pela Calçada Portuguesa"

Temo que Lisboa caminhe para uma eterna questão sobre materiais de construção e pouco sobre o investimento na pessoa, só espero que todo este debate, que é importante fazer-se, não consuma todas as energias sob pena de qualquer dia termos apenas as pedras da calçada a chorar pela falta de juventude em Lisboa.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Lisboa das 7 colinas, quase para todos.

Há uns dias subia a rua onde trabalho e consegui lembrar-me o porquê da tão característica expressão "Lisboa das 7 colinas". Veio a crise e de repente conseguimos pedalar nas colinas, ultrapassar os nossos limites e desafiar a capacidade e vigor, mas ainda temos alguns problemas na locomoção de todos na nossa cidade. 
Trago-vos hoje o exemplo de uma pessoa que tenho visto com alguma regularidade, ainda ontem estava parqueada numa zona de táxis aguardando que fosse possível deslocar-se sobre o alcatrão, visto que a cadeira elétrica que temo não lhe permite deslocar-se sobre o passeio alfacinha pela quantidade de obstáculos que tem.
Aos poucos parece que vamos começando a olhar para o espaço público como um bem, devendo ser preservado e melhorado, permitindo que todos - sem exceção possa usa-lo.


Foto tirada na Rua Nova da Trindade no início de um dia de trabalho
Há uns anos atrás, nos tempos da licenciatura em Ergonomia, falávamos bastante no conceito do design universal e da acessibilidade para todos. Lembro-me perfeitamente de observarmos o espaço público e notarmos que fazia falta vencer o desnível acentuado, remover os obstáculos da via pública, transformar o tipo de informação que dávamos aos peões, entre outras questões - infelizmente hoje só tenho pensado nos locais de trabalho em que vou intervindo.

Noto agora que estamos em contra relógio, uma vez mais, pois temos em discussão pública nestas férias, sim desde 1 de Agosto, a "Proposta Global do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa" terminando este período a 31 de Outubro, tal como publicitado pela autarquia da nossa Capital.

Embora este projeto possa parecer ver a luz do dia neste momento, não posso deixar de referir que esta ideia veio a público pela primeira vez em Junho de 2009, curiosamente já depois de muita discussão e partilha desde a publicação da conhecida Lei da acessibilidade através do Decreto-Lei 163/2006, de 8 de Agosto (apenas oito anos depois do Decreto-Lei 123/97, de 22 de Maio, que fazia um primeiro enquadramento do espírito da lei e foi revogado por este diploma).

Lisboa tem agora oportunidade de resolver alguns desafios, resta saber se o facto de estar de férias durante este período não a impedem de ser esclarecida e de poder participar no processo de tomada de decisão.