segunda-feira, 10 de março de 2014

Comunicação deficiente - Obras públicas

Alguns certamente que conhecem esta histórica Escola Secundária de Lisboa, apesar dos diferentes nomes pelo qual o edifício possa ser chamado, é comumente designado como "O Rainha" podendo ser considerado intemporal.

Numa qualquer terça-feira de Carnaval, no ano de 2014, talvez pela ausência de feriado encontrava-se aberto e resolvi registar as alterações deste edifício.

Fig. 1 - Vista da E. S. Rainha D. Leonor - Lisboa (4/03/2014)
De facto esta escola sofreu uma grande intervenção com vista à sua modernização em 2009, visto que a instalação deste liceu datava dos anos 60.

Houve uma obra de ampliação interessante e uma preservação ampla das antigas instalações, aproveitando este período de 2009 - 2011, durante as intervenções da Parque Escolar, para promover a sua melhoria global.

Aviso já que não entrei no edifício, fiquei-me pela portaria atual e noto que esta não é de facto a porta originalmente planeada para o edifício.

Nesta obra de melhoria, uma fácil constatação prende-se com a deslocação da porta principal, permitindo um novo acesso às instalações, existe inclusive nessa porta uma passadeira de peões (visível na figura 1) mas...

Fig. 2 - Vista do antigo acesso do edifício da E.S. Rainha D. Leonor (4/03/2014)
É verdade, segundo relatam algumas pessoas com quem falei houve uma intervenção, posterior à conclusão das obras, onde finalmente sinalizaram bem o local de passagem destinado ao acesso dos estudantes.
Fig. 3 - Vista do acesso rodoviário à antiga porta da E.S. Rainha D. Leonor (4/03/2014)
Ao que parece enganaram-se no local de aplicação dos elementos que devem garantir a segurança dos estudantes no atravessamento desta rua, mas diga-se em bom rigor, que tudo está bem contemplado:
- Sinalética vertical coerente e visível;
- Sinalização horizontal (pavimento colorido);
- Alteração de material do pavimento (informação tátil diferente para o condutor)

Agora só falta mesmo é colocar toda a boa prática no local certo.

terça-feira, 4 de março de 2014

Acesso à informação na Internet

Em pleno século XXI os grandes centros urbanos, como é o caso de Lisboa, transformaram-se em zonas de suporte para atividades de trabalho e lazer, enquanto mantém, em algumas porções de território, a possibilidade de ser residência de vários núcleos familiares.

Todos estes motivos de curiosidade ditaram, regra geral, uma presença forte na internet e redes sociais.

Lisboa não ficou de fora e tem promovido há já alguns anos o sítio oficial de internet e mais recentemente uma presença oficial na rede Facebook

Fig. 1 - Imagem retirada do facebook oficial da CML

Não nos podemos esquecer que, a ainda em curso, reforma administrativa, tem também como objetivo a descentralização de serviços e apela a uma melhor cooperação entre as 24 freguesias e os serviços do Município.

Apesar de ser fácil falar sobre as vantagens e desvantagens deste novo modelo de organização autárquica, talvez este seja um bom momento, para pensarmos um pouco mais sobre a acessibilidade da comunicação.

A Lisboa do século XXI, tem sido bastante bem cotada na visão turística e tem sido extensamente galardoada (ex. "os óscares do turismo"; "cidade mais cool da europa pela CNN"). Começam até os movimentos para elevar algumas zonas históricas da Cidade de Lisboa a Património da Humanidade.

Mas a Lisboa que surge neste início de 2014 é uma tentativa de trabalho em rede descentralizada, através da delegação de competências que são fundamentais para a manutenção de uma cidade moderna, cuidada e que continue a dar resposta às solicitações de moradores, turistas, estudantes e trabalhadores.

Todo este movimento de mudança desperta a necessidade de informação clara e de qualidade, muitas vezes em tempo real e disponível através de uma política de comunicação, pelo menos, 2.0.

Dou-vos como exemplo este próprio Blog, afinal de contas ele é pessoal e utiliza uma plataforma gratuita e generalista de produção de conteúdos. Resolvi utilizar o acess monitor, para verificar o nível de conformidade deste espaço e fiquei bastante preocupado com o resultado... mas e se fizermos o mesmo teste para outros sítios de Internet, por exemplo dos nossos orgãos autárquicos?

Muita conversa técnica poderia chegar a partir daqui, mas os resultados são de simples leitura numa escala do nível de conformidade que é crescente de "A" a "AAA". Se no caso deste espaço gratuito, sem preocupação e gratuito obtive uma classificação "A" o que dizer de autarquias que obtêm a mesma classificação?

Sobre a comunicação através da internet importará destacar que no passado dia 26 de Fevereiro de 2014, o Plenário do Parlamento Europeu deu um passo decisivo na afirmação de tornar os serviços públicos acessíveis também através da internet, ou pelo menos teremos criado alguma direção para os próximos 5-6 anos na transposição para o direito dos Estados Membro.

Poderemos achar que estamos a dar um passo na direção certa e que melhoraremos a nossa política de e-government, mas surpreendam-se por saber das notícias recentes de bom posicionamento Português.

Não esquecer que a acessibilidade na internet tem já um historial antigo, fundada na experiência de 25 anos do W3C, apesar de Portugal ter dado os primeiros passos sérios na integração do cidadão com deficiência na sociedade da informação através da Resolução do Conselho de Ministros nº 96/99, de 26 de Agosto (entretanto atualizada pela RCM 155/2007).

Será que caminharemos na caminho de uma verdadeira acessibilidade à informação, também no formato moderno do on-line?



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Bairro das Estacas foi à Assembleia de Freguesia

Se tiverem lido as novidades nestes últimos tempos aqui neste espaço de certeza terão já visto algo sobre o que se tem passado no Bairro das Estacas, conjunto habitacional incluído no espaço geográfico da Freguesia de Alvalade - Lisboa.

Hoje resolvi manter a coerência de levar as questões aos locais apropriados e dirigi-me à Assembleia de Freguesia,no períodos destinado à intervençãodo público, tendo por isso estado atento à  convocatória desta reunião pública.

Fig. 1 - Vista do Público da Assembleia de Freguesia de Alvalade 26/02/2014

Apesar da pouca presença de público consegui partilhar na íntegra a intervenção que pretendia fazer, tendo obtido algumas respostas que apesar de pouco concretas denotam que algo estará a ser tido em consideração.

Percebi que o estacionamento ficará para já deficitário, apesar da bondade da proposta, será um projeto que conhecerá futuros contornos e que, de acordo com as palavras do Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, terá de envolver os projetos futuros da EMEL.

Embora possamos pensar que este local tem uma importância menor do que a própria Assembleia Municipal de Lisboa, não deve ser esquecido que as Juntas de Freguesia de Lisboa irão receber progressivamente novas competências delegadas, criando alguma transformação na forma como gerimos e vivemos a cidade.

Continuarei a ficar Alerta para as questões do Bairro e procurarei compreender melhor o futuro do bairro.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os arranjos finais - projeto "Zona 30 - Bairro das Estacas"

Desde 8 de Outubro de 2013 que todo o processo de implementação do projeto "Zona 30 - Bairro das Estacas" tem provocado alguma reflexão coletiva (de uma simples consulta por notícias no google) e até alguma informação nos meios de comunicação social (são exemplos dessa atenção o "O Público", "Diário Económico" e outros haverão certamente).

Mas o que interessa aqui observar é que estamos na fase final desta obra, ou pelo menos assim parece, notando que hoje começaram as pinturas de reordenamento do estacionamento na Rua Antero de Figueiredo.
Fig. 1 - Operações de pintura de estacionamento na Rua Antero de Figueiredo a 21/02/2014

Importa aqui lembrar que na mesma zona deste bairro, construído na década de 50, houve alguns acontecimentos recentes ditam que se viva ao som do ditado popular "Gato escaldado de água fria tem medo", principalmente no toca a obras públicas.

Estou certo que se lembrarão das obras de intervenção sobre a Avenida Frei Miguel Contreiras...

Da minha curta experiência de vida neste bairro, 23 anos, são pelo menos dois os momentos infelizes de obras na nossa zona que posso juntar a esta atual:

- Obras de alargamento da linha de caminhos de ferro, que faz fronteira entre a nossa Freguesia de Alvalade e a do Freguesia do Areeiro.
O estreitamento da via, a subtração do arvoredo e as promessas incumpridas no que diz respeito à reposição da normalidade desta zona descaracterizada por força da ampliação da estação Roma-Areeiro.

- Obras de construção da faixa ciclável ao longo da Avenida Frei Miguel Contreiras, a mesma que como podem ver teve alguns problemas durante as obras do projeto "Zona 30 - Bairro das Estacas". Até porque até hoje a verdade é que continua a não ligar a lado nenhum, apesar das questões levantadas em 2009.

Todas estas obras têm duas coisas em comum. Falha (ou ausência) de comunicação com a população e quebra da confiança dos residentes em relação à concretização de obras.

Agora estamos de facto é com alguma dificuldade em procurar explicações, isto porque de fininho se retirou o estaleiro da Vila Afifense e se recuperou a prática do estacionamento selvagem.
 
Fig. 2 - Vila Afifense depois das obras (19/02/2014)    Fig. 3 - Vila Afifense durante as obras (1/1/2014)

Nesta reta final ficam algumas questões práticas, ainda por responder:

Quantos lugares de estacionamento conseguimos ganhar no Bairro das Estacas?
Como iremos avaliar o impacto destas obras?
Que lições levamos para o futuro?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A intervenção cívica que em parte se fez...

Hoje estive na Assembleia Municipal de Lisboa, tendo pela primeira vez me proposto a intervir neste fórum.

Seguramente que os Deputados, pelo menos os que terão estado presentes, aguardavam uma ordem de trabalhos preenchida, observando a convocatória da própria reunião.

Mas, mesmo correndo o risco de ser marinheiro de primeira viagem empreendi esforços para uma visita a este local. Na verdade bastou-me trocar a hora do almoço e um pequeno exercício de greve de fome.

Preparei uma intervenção sobre alguns temas da cidade de Lisboa que me têm trazido preocupações pessoais, como é o caso do "projeto Zona 30 - Bairro das Estacas" e toda a confusão instalada.

Fig 1 - Foto que gentilmente foi tirada da emissão em direto pelo Diogo Moura e que foi parar ao facebook

Não foi um processo fácil de perceber, mas usei alguma experiência de outras vivências e procurei informação equivalente. Ou seja fiz uma viagem de aprendizagem.

Primeiro vi o sítio de internet da Assembleia Municipal, procurei conhecer a sua composição e o seu regimento, onde encontrei que como cidadão poderia usar da palavra antes dos trabalhos começarem.

Em segundo tive de resolver o problema de como identificar qual das reuniões poderia o público intervir, isto porque umas são continuidade de outras e o público, regra geral, pelo que entendi deverá intervir uma vez por mês.

Até aqui até vai-se compreendendo, afinal de contas acredito que seja do interesse público promover a participação de todos, qualificando a ação dos que foram eleitos.

Mas a surpresa apareceu-me do regimento e da sua aplicação, coisa que ainda gostava que a Sra. Presidente me explicasse, mas talvez estejam a preparar um novo regimento para o mandato 2013-2017.

Pois então está escrito que o público pode intervir nos primeiros 45 minutos da sessão, podendo este tempo ser rateado pelos intervenientes, mas (e existe sempre um mas) a duração máxima de cada cidadão é de 5 minutos. 

Ou seja, hoje, dia 18 de Fevereiro, estivemos dois cidadãos para gozar da palavra, desta forma contribuímos no total com 10 minutos, sem qualquer hipótese de resposta ou reação. Mas o público, mesmo assim teria direito a 45 minutos.

Ainda questionei a Sra. Presidente, se existiam 45 minutos para o público e apenas duas inscrições porque não me deixaria utilizar mais 5 minutos. A afirmação peremtória de "por favor conclua" foi um indicador claro de onde a conversa poderia ir.

Fiquei com a ideia clara que o melhor seria entregar o documento escrito e sair dali, afinal de contas ainda havia uma extensa ordem de trabalhos.

Noto como positiva esta participação, consegui compreender melhor que Lisboa tem muito para evoluir, principalmente no envolvimento dos cidadãos nos processos de tomada de decisão.

Não nos bastam sítios de internet bonitos e interativos, precisamos sim de viver o Fator Humano como veículo preferencial do desenvolvimento social. Talvez o melhor seja mesmo colocar os Senhores Deputados na rua, a passear um pouco por Lisboa e a ver a consequência do seu trabalho.

O mesmo regimento diz que poderei voltar a falar daqui a 6 meses, salvo se a Sra. Presidente me autorizar a falar…vamos ver como evoluem as coisas.

Mas se não operarmos as pequenas mudanças locais nunca conseguiremos alcançar mudanças globais.

Poderão consultar, se tiverem interesse, o documento que escrevi para esta sessão em: http://issuu.com/paparicio/docs/interven____opha_aml_18feve2014_onl

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Às voltas com as Zonas 30 de Lisboa em Alvalade

Até ao passado mês de Novembro desconhecia o que era uma Zona 30, até porque nunca me avisaram que a reforma estrutural da cidade estava a ganhar forma de obra pública. De um dia para o outro, tal e qual como nos filmes, vi-me envolvido num fantástico mundo de obras à porta de casa - sem sequer saber quem mandava naquilo.


Cruzamento Rua Teixeira de Pascoais e Rua Antero de Figueiredo 14/11/2013
Contactei primeiro a Junta de Freguesia que prontamente me indicou que o dono da obra era a Câmara Municipal de Lisboa, estávamos a 11 de Novembro (a obra começou a 8 de Outubro e pelos vistos tive a sorte de estar fora do país nesse período). Eram retroescavadoras, bobcats, areia, alcatrão e muitas outras coisas que mudaram por completo a vida da pacata zona residencial do Bairro das Estacas.

Vista do Estaleiro da Obra, instalado na Vila Afifense a 10/01/2014

Não só contactei a Freguesia de Alvalade como a Câmara Municipal de Lisboa (dono da obra) como percebi através do Observatório das Obras Públicas que esta obra deverá estar ligada a dois contratos:
  • "Elaboração e acompanhamento de estudos e projectos - Moderação da circulação - Zonas 30" - contratado por ajuste direto a 16/02/2012, durante 45 dias e pelo valor de 20.160,00€
  • "Empreitada nº 7/DMMT/DGMT/2012 - "Moderação da Circulação/ Zona 30 - Bairro das Estacas" - contratado por ajuste direto a 25/07/2013, durante 90 dias e pelo valor de 91.746,58€
Asseguro-vos que esta está a ser uma experiência difícil - reforço que está! - isto porque a obra que começou a 8 de Outubro de 2013, deveria ter terminado 90 dias depois (2 meses e 29 dias depois do arranque) - algo como 130 dias certos.

Foram vários os episódios, talvez o mais caricato da desorganização seja a manobra de marcha atrás do autocarro 727 em plena Avenida Estados Unidos da América.

Pessoalmente faço uma avaliação muito negativa da forma como esta obra surgiu em nossas vidas, da dificuldade em garantir a segurança dos cidadãos e do incumprimento legal de vários preceitos nas várias frentes de obra, mas aguardo com alguma esperança que tenham sido aprendidas lições neste processo.

                     
Vista da frente de obra Avenida de Roma - Rua Conde de Sabugosa a 11/12/2013
Mais não seja porque Lisboa vai receber 31 projetos de "Zona 30", apresentando-se como forma de implementar o Plano Diretor Municipal de Lisboa, mais concretamente a criação de Zonas de Moderação da Velocidade.

Na ideia da política da boa vizinhança vou estar atento, até porque só na Freguesia de Alvalade serão criados um total de 7 projetos.

Neste momento arrancaram mais duas obras que já são alvo de alerta pela Câmara:
  • Empreitada nº 12/DMMT/DGMT/13 - "Moderação da Circulação/ Zona 30 - Bairro de Alvalade Norte/ Poente, Bairro de Alvalade Sul/ Poente e Bairro de Telheiras" - contratado por concurso público a 21/08/2013, durante 100 dias (3 meses e 8 dias) e pelo valor de 80.927,96€;
  • Empreitada nº 13/DMMT/DGMT/13 - "Moderação da Circulação/ Zona 30 - Bairro de Alvalade Norte/ Nascente, Bairro de Alvalade Sul/ Nascente e Bairro S. João de Brito" - contratado por concurso público a 7/08/2013, durante 100 dias (3 meses e 8 dias) e pelo valor de 122.428,43€.
Do que vi até agora, principalmente na experiência do Bairro das Estacas, mas também no Bairro do Arco do Cego, há algumas questões que precisam de intervenção urgente:
  • A comunicação com os cidadãos é insuficiente e peca por falta de clareza e exatidão;
  • Todo o processo de concretização que vi, até ao momento, ficou bastante abaixo dos parâmetros de salvaguarda da urbanidade, segurança e serviço público;
  • A sessão de esclarecimentos em que estive embora revestida da bondade de aproximar projetistas e moradores, peca por falta de diálogo e de respostas concretas.
Estou um pouco como São Tomé "Ver para crer", pois Lisboa parece estar a chegar ao limite das garantias e precisará de uma intervenção global a curto prazo (e não intervenções isoladas e criadoras de ilhas).

sábado, 18 de janeiro de 2014

Um bom simulacro - 17 Janeiro 2013

Lisboa acordou debaixo de uma tempestade! Houve ventos fortes, gelo, "neve", frio e muita dificuldade para as atividades diárias e adivinhavam muitas notícias.


(Imagem de retirada da foto galeria Semanário Sol

Algumas imagens, bem apanhadas, como a acima mostram a remoção do granizo em Benfica e a necessidade de accionar meios complementares (como o bobcat frente à publicidade ao Euromilhões que desafia a felicidade do transporte público), registaram-se certamente várias ocorrências no campo da emergência e que colocam todo o dispositivo de proteção civil em prova.

Não coloco em causa a eficácia do dispositivo, neste momento escrevo sem conhecimento de causa sobre as ocorrências e resposta existente.

Registo através das notícias que foram muitos os engarrafamentos, acidentes e sinais claros de alguma impreparação da nossa Grande Lisboa para responder a situações inesperadas e por isso mesmo do âmbito que poderia ser de catástrofe.

(imagem de uma sarjeta na Rua Garrett, dia 17/1/2014, 13h41)

Há algumas postagens abordava a questão da limpeza, ou falta desta, nas nossas sarjetas...desta feita é tempo de questionar o que mudou desde Agosto de 2013?

A avaliar pela altura da água, pelo nível de deslize das pessoas que passeavam no passeio estou em crer que esta limpeza anda a precisar de ser avaliada - quer em termos de eficiência, como em termos de regularidade.

Afinal de contas ninguém quer um parque aquático em pleno Chiado, notando que este não está inscrito no Plano Diretor Municipal.

Vários são os factores que contribuem para esta situação, mas acredito que o esquecimento tem sido uma nota constante - ou será que o sistema de escoamento de águas pluviais também passará para as Freguesias?

Aguardemos para ver como evoluem as coisas.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

A fronteira e a comunicação...até onde chega o Homem?

Há uns anos atrás fronteira era de facto uma linha bem marcada, normalmente vigiada e que controlava tudo e todos os que pretendia passa-la. Encarávamos esta linha como um limite, como quem diz aqui termina um espaço e começa outro, para alguns era visto como uma barreira e um sem fim de procedimentos burocráticos de controlo.

Há mas semanas resolvi aproveitar um fim de semana e dei um salto a uma cidade que, apesar de não se encontrar literalmente na fronteira, podemos considerar que se encontra na zona próxima (até aqui o conceito sofreu um alargamento). Foi tempo de visitar a "Notável Vila"de Estremoz, produtora do característico mármore branco usado no Templo de Diana e na Catedral de Évora, um local daqueles que vale a pena visitar.

Quando passei entrámos não fiquei indiferente a um enorme outdoor que se encontrava junto às vinhas do João Portugal Ramos, mas não se tratava de um bom Alentejano...

Era de facto um anúncio a uma marca francesa de grandes superfícies desportivas. A Francesa Decatlhon, para além das 22 lojas em Portugal, e seguramente várias em Espanha, tratou de abrir mais uma grande superfície, desta feita em Badajoz.

Até aqui tudo bem, um pouco por todo o lado surgem investimentos desta natureza, é normal que queiram continuar com o investimento e procurem a expansão...mas esperem lá, um cartaz...
Foto tirada à porta de Estremoz, junto às vinhas João Portugal Ramos
Em nada fere com a ideia de uma União Económica Europeia, espaço destinado à livre circulação de bens, mercadorias e pessoas. Mas não deixa de ser caricato que uma unidade de negócio, instalada em território Espanhol percorra um pouco mais de 60Km, Portugal adentro para colocar um outdoor.

Apesar da unidade anunciante se encontrar claramente no mercado Espanhol, a sua publicidade em Estremoz está escrita em Português, afinal de contas a globalização já não é de hoje.

Ainda estranhei o facto de comunicar em Português, afinal de contas Badajoz já é Espanha. Pus-me logo a fazer contas à vida...ou contas de merceeiro.
Então e o IVA...

Esta zona do nosso país tem já algumas experiências de comunidades transfronteiriças, de parcerias verdadeiramente Ibéricas, que criam proximidade entre as comunidades dos extremos de ambos os países e que sentem a desertificação no seu quotidiano.

Fica o registo que a cidade pode ter uma malha maior que a sua fronteira administrativa, pode cativar as redondezas, mesmo que sejam do distante estrangeiro e que a comunicação não precisa de ser digital para ir além fronteiras.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

10% de Lisboa

Olhando para as notícias de ontem (25 de Agosto) não foi difícil perceber que estamos em pleno Verão, época de incêndios nas nossas florestas e matas que acrescentam todos os anos perdas incalculáveis para o nosso futuro. Além dos espaços naturais foi também trazida a público a memória Lisboeta do grande incêndio do Chiado, fazendo movimentar consciências e trouxe para a ordem, daquele dia, a questão do fogo urbano.

Não deixa no entanto de ser muito infeliz a certeza que o nosso Portugal está hoje mais pobre quer pela terra queimada, quer pela perda de homens e mulheres que abraçam a tarefa de serem soldados da paz, entregando-se à missão das corporações de bombeiros - muitas vezes com graves lacunas materiais, formativas e até de efetivos.

Mas ontem preocupou-me outra questão, para além do incêndio urbano, lembrei-me que a citadina Lisboa tem na sua estrutura central um projeto que começou em 1868, foi ganhando forma através de Keil do Amaral, Duarte Pacheco e outros ilustres anónimos.
O conceito inicial era o da transformação de uma serra árida dedicada a pastagens, produção de cereais e alguns edificados de suporte a estas atividades num bosque monumental - este espaço que apenas começou a ser criado em 1929 através do plano de arborização da Serra de Monsanto.

Foto tirada num dos percursos pedestres principais do Parque Florestal de Monsanto

Tratando-se de uma obra desta época é obviamente repleta de controversas medidas como a expropriação acelerada de terrenos (até então inédita), a utilização de espécies infestantes (com crescimento rápido), a utilização de prisioneiros e elementos da Mocidade Portuguesa...entre outros episódios característicos do regime que então vivíamos em Portugal.

Podemos não compreender muito bem a história que herdámos desde a ideia fundadora do séc. XIX, mas percebemos claramente a riqueza que hoje representa o Parque Florestal de Monsanto, contemplando 900hectares de zona florestal e uma biodiversidade considerável para um meio urbano. 

Se quisermos colocar à escala, podemos afirmar que esta zona representa tem cerca de 10% do território de Lisboa. Esta informação seria o quanto baste para considerarmos Monsanto como o pulmão vivo de Lisboa, ou como forma de minimizar o impacto ambiental dos estilos de vida modernos em que a poluição e agressão ao meio ambiente são notas dominantes.

No dia dos 25 anos do incêndio do Chiado fui dar uma volta aos 10% de Lisboa, cruzei-me com algumas pessoas de bicicleta, em corrida e até em passo apressado, vi o parque do Calhau com muitos carros parados, vi as vistas, alguns dos habitantes de monsanto e até transpirei, mas resolvi hoje trazer-vos uma imagem deste passeio.

Numa das vias principais do parque, por cima do Parque de Merendas de São Domingos, via que serve como corta fogo está empilhado - em pleno mês de Agosto - um monte de lenha seca e são visíveis vários troncos de grande porte nos talhões circundantes. Óbvio que não fiquei indiferente aos vários papéis afixados nos parques de merendas, que indicavam "durante o período crítico é proibido fazer fogo - mesmo nos grelhadores" (tal como vem previsto na legislação nacional).


Vista de uma das bermas do percurso pedestre

Bem sei que temos em marcha o corredor verde, que temos trânsito limitado ao fim de semana, que existe um espaço biodiversidade (que está espetacular)...agora falta-nos prevenir os danos neste espaço e conseguir criar formas de atrair mais gente para a natureza. 
  
Não basta preservarmos o património se não o pudermos integrar nos nossos hábitos e rotinas, sendo que a Natureza, em minha opinião, deve ser vivida através de passeios, contemplação ativa e estudo não-formal.

Atenção Lisboa - se continuarmos a limpar a nossa principal Mata em Agosto, corremos o risco de ficar mais pobres. Se não levarmos pessoas à Floresta elas vão continuar exclusivamente a querer usar a calçada portuguesa e a frequentar os centros comerciais...

10% de Lisboa que valem a pena!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Prevenir para não remediar I - A sarjeta sazonal

O clima temperado convida qualquer turista a uma passagem pela nossa capital por esta altura, o bom tempo permite agora tratar das obras que foram adiadas pela chuva - é agora tempo de se conhecer Lisboa e guardar memórias para a vida.

Mas ontem, à hora do almoço, subia a Rua Nova do Almada e ao olhar para a Calçada Nova de São Francisco de Assis (Chiado) vi algo que nem queria acreditar...tive mesmo de registar.

 Sarjeta presente na base da Calçada Nova de S. Francisco de Assis (com a Rua Nova do Almada)

Este é de facto um dos exemplos em como a nossa política pode sofrer de sazonalidade. Nesta altura do ano a Baixa Pombalina e o Chiado são como cartões postais da nossa cidade, afinal de contas ninguém dispensa uma foto com o Fernando (Pessoa), uma viagem no Elevador (de Santa Justa), entre outros.

Por agora esta sarjeta parece ser vítima de asfixiação por lixo (fiquei curioso como se notava bem uma fralda descartável, copos plásticos e outros objetos não identificados), imaginem se o próximo Inverno tiver a mesma carga de água que teve este último - até fez adiar as obras calendarizadas para o início desde ano. Talvez a próxima atração turística sejam as Cascatas Pombalinas, ou os rápidos do Chiado potenciais turísticos até aí desconhecidos.

Tal como nos fogos florestais que se têm propagado, em parte pela falta de limpeza dos matos públicos e privados, aqui esquecemo-nos de fazer o trabalho de casa e prevenir o futuro.

São atos simples de cidadania regularmente esquecidos, cada pequeno pedaço de lixo deitado ao chão acabou por tratar deste acumular de pequeninas coisas - revelando agora um grande problema e uma perfeita falta de respeito pelos demais cidadãos.



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A Lisboa das 7 colinas, quase para todos.

Há uns dias subia a rua onde trabalho e consegui lembrar-me o porquê da tão característica expressão "Lisboa das 7 colinas". Veio a crise e de repente conseguimos pedalar nas colinas, ultrapassar os nossos limites e desafiar a capacidade e vigor, mas ainda temos alguns problemas na locomoção de todos na nossa cidade. 
Trago-vos hoje o exemplo de uma pessoa que tenho visto com alguma regularidade, ainda ontem estava parqueada numa zona de táxis aguardando que fosse possível deslocar-se sobre o alcatrão, visto que a cadeira elétrica que temo não lhe permite deslocar-se sobre o passeio alfacinha pela quantidade de obstáculos que tem.
Aos poucos parece que vamos começando a olhar para o espaço público como um bem, devendo ser preservado e melhorado, permitindo que todos - sem exceção possa usa-lo.


Foto tirada na Rua Nova da Trindade no início de um dia de trabalho
Há uns anos atrás, nos tempos da licenciatura em Ergonomia, falávamos bastante no conceito do design universal e da acessibilidade para todos. Lembro-me perfeitamente de observarmos o espaço público e notarmos que fazia falta vencer o desnível acentuado, remover os obstáculos da via pública, transformar o tipo de informação que dávamos aos peões, entre outras questões - infelizmente hoje só tenho pensado nos locais de trabalho em que vou intervindo.

Noto agora que estamos em contra relógio, uma vez mais, pois temos em discussão pública nestas férias, sim desde 1 de Agosto, a "Proposta Global do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa" terminando este período a 31 de Outubro, tal como publicitado pela autarquia da nossa Capital.

Embora este projeto possa parecer ver a luz do dia neste momento, não posso deixar de referir que esta ideia veio a público pela primeira vez em Junho de 2009, curiosamente já depois de muita discussão e partilha desde a publicação da conhecida Lei da acessibilidade através do Decreto-Lei 163/2006, de 8 de Agosto (apenas oito anos depois do Decreto-Lei 123/97, de 22 de Maio, que fazia um primeiro enquadramento do espírito da lei e foi revogado por este diploma).

Lisboa tem agora oportunidade de resolver alguns desafios, resta saber se o facto de estar de férias durante este período não a impedem de ser esclarecida e de poder participar no processo de tomada de decisão.







quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Abertura das publicações

Chega hoje, a 15 de Agosto de 2013, mais um espaço destinado a registo de factos, partilha de ideias e expressão livre de opinião - resolvi chamar-lhe "O ver a cidade" -.

A opção por um nome como "O ver a cidade" prende-se com a vontade de dar a conhecer o ponto de vista sobre aquela que tomo como unidade básica da organização social, a cidade, optando por faze-lo preferencialmente sobre Lisboa - onde vivo - mas poderá chegar a outras por onde se passe.

O ponto de partida deve ser uma questão, uma ilustração, um pensamento, um momento ou algo que marque e seja motivo de pensamento. O ponto de chegada não tem ainda expressão certa. local ou definição, esperando que se possa ultrapassar as dificuldades do caminho e limitações do autor.

O trocadilho de Ver a cidade é a aproximação do substantivo veracidade, procurando sempre que se paute por uma comunicação verdadeira e rigorosa, agradecendo sempre o enriquecimento que os leitores queiram partilhar - procurando sempre a elevação da discussão, o respeito pelos demais cidadãos e a construção de um espaço que se pretende plural e útil.

Espaço de cidadania, expressão de opinião, vivência do espaço público procurando que se possa ir fazendo caminho.

Com amizade,

O Autor.
Foto tirada na Av. Almirante Reis